Segredos no mundo digital, com Nuno Pereira

 

Nuno conta com 23 anos de profissão e quase 5000 seguidores no Instagram mas apesar de reconhecer o valor e o poder dos conteúdos online, não esquece que o profissionalismo tem de começar dentro do salão.

Privilegia a formação como base de uma aprendizagem contínua numa profissão tão exigente como a de hairstylist e mais, considera que só assim é possível criar soluções diferentes e oferecer uma “experiência” inovadora aos seus clientes.

 

Nuno sabe que não basta ter uma certa quantidade de seguidores ou de conteúdos online – “esta aposta faz parte da nossa estratégia mas na realidade o serviço tem de ser o melhor possível e a qualidade extrema. É preciso formar a nossa equipa, ter os cuidados necessários com a imagem do salão – espaço físico” – no fundo, que as redes sociais sejam apenas uma extensão da realidade.

Esta capacidade de se adaptar aos “tempos modernos” mas manter os pilares de confiança e de profissionalismo só aguçaram ainda mais a nossa conversa! Vale a pena ler.

 

 

Há quanto tempo decidiu que ser Hairstylist seria a sua profissão?

 

Foi um feliz acaso na minha vida. Trabalho nesta área há 23 anos, numa altura em que ser cabeleireiro ainda não era uma profissão muito assumida pelo género masculino. Eu era um jovem, tinha apenas 17 anos – a imaturidade própria da idade fez com que a minha escolha não fosse facilmente aceite por muitos colegas, mas fui persistente.

Tinha uma outra paixão pela área de educação física, mais concretamente atletismo – fui atleta inclusivamente, mas a paixão pelo hairstyle falou mais alto. Estudei, comecei como ajudante de cabeleireiro, posteriormente seguindo o progresso de carreira, passei para praticante e tive oportunidade de trabalhar como sub-gerente mas foram os 5 anos como gerente de um espaço que me deram a experiência que precisava. Em todos os passos, segui sempre o meu feeling – hairstyle.

 

 

Quando chegou o dia de abrir as portas e a energia que tinha um espaço seu. Como descreve esse momento?

 

Dia 31/03/2007 – esta é uma data que sei de cor. Neste dia senti um misto de sentimentos: aquele ano foi um ano de mudança a todos os níveis e como costumo dizer: este foi “o meu primeiro filho” – algo pelo qual trabalhei muito – era um objectivo pessoal e profissional e por isso exigiu muito de mim. O primeiro ano foi um ano de adaptação a circunstâncias diferentes daquelas às quais estava habituado, mas como “um primeiro filho”, as noites mal dormidas estiveram incluídas. Não quis nunca abrir apenas mais um salão, a minha ambição sempre foi criar uma marca / um espaço em que pudesse receber os meus clientes e dar o meu melhor enquanto profissional. Sabia dos desafios que iria ter pela frente mas olhando para trás, digo com certeza: valeu a pena.

 

 

Ainda se lembra da 1ª cliente que entra no seu espaço? Ainda frequenta o salão?

 

Lembro-me perfeitamente. Foi uma criança, um rapazinho, filho de uns amigos. Cortei-lhe o cabelo pela primeira vez. Lembro-me muito bem e hoje já é um homem crescido e ainda é cliente do salão. Acabamos por manter uma relação bastante próxima com alguns clientes. Muitas vezes esta relação estende-se a toda a família. Quando conquistamos a confiança dos clientes, passamos a ser confidentes e ouvintes.

 

 

Volvidos 23 anos desde a abertura do seu salão. O que mudou entre o espaço físico e a forma como o comunica?

 

Mudou muito. No início eu era visto como jovem e irreverente – alguém que gostava de fazer trabalhos diferentes. Hoje privilegio a Equipa Nuno Pereira – valorizo o trabalho de todos os elementos e sei que esta experiência acaba por ser reconhecida.

Estamos muito mais abertos a ouvir as necessidades dos diferentes clientes e conquistámos um lugar de confiança. Muitas vezes somos mesmo os “bombeiros de serviço” – alguém a quem os clientes recorrem em momentos de maior urgência.

Ao mesmo tempo que inovamos e damos muita importância à formação, sabemos que a forma como hoje comunicamos se baseia na proximidade, confiança e empatia.

 

 

https://www.instagram.com/p/BhoWt9mFowd/

 

 

As redes sociais são uma porta de entrada para o seu salão. Qual é a importância da produção de conteúdos no seu negócio?

 

São muito importantes. Os conteúdos, sejam em fotografia ou vídeo são uma forma diferente, mais próxima de apresentar o nosso trabalho. Uma relação que está à distância de um clique e com a proliferação dos smartphones, todos nós temos acesso às redes sociais. No entanto e como gosto de ressalvar, acho que as redes sociais funcionam sim, quando na realidade os clientes comprovam que o que apresentamos é verdade.

Tudo isto exige uma estratégia que também deverá incluir a forma como lidamos com os feedbacks menos positivos – eles existem e cabe-nos a nós geri-los da melhor forma.

Simultaneamente, é preciso fazermos o trabalho de casa – informarmo-nos acerca das tendências, conhecer o nosso mercado e o nosso target, isto porque há 5 anos diríamos que o Facebook era a rede social mais estratégica para nós, no entanto, actualmente já falamos do Instagram e do Youtube como principais plataformas para o nosso público-alvo.

A mudança é constante e temos de nos actualizar para retirar o melhor destas ferramentas.

Finalmente, um ponto que gosto de referir é a privacidade dos meus clientes – acho que é essencial preservar a identidade de todos os clientes. Posso mostrar o trabalho final de uma forma mais discreta, mas ainda assim acho que nos devemos distinguir por estes detalhes. Os clientes confiam em nós e a privacidade é um direito que todos temos e que deve ser respeitado.

 

 

Se tivesse de dar um conselho a um novo hairstylist o diria?

 

Diria o que digo a todos os formandos e colegas que recebo – inclusivamente de outros países, através do programa ERASMUS.

Diria quatro conselhos essenciais: paciência; gosto pela profissão; saber ouvir (e relativizar) críticas e apostar na formação.

Nestes 23 anos de profissão, também eu passei por situações que puseram em causa a minha capacidade, no entanto, acreditei sempre e apostei mais e mais na minha formação. Temos de estar onde estão os melhores; trocar experiências; evoluir. É por isso aliás que valorizo tanto o trabalho da L’oréal- marca com a qual trabalho há 23 anos precisamente – a aposta na formação e no prestígio da nossa profissão é uma preocupação constante.

É importante ainda ouvir as críticas, saber lidar com elas mas não deixar que nos demovam.

Paciência na forma como pretendemos atingir um determinado objectivo. Hoje em dia os jovens que terminam os seus cursos têm uma ânsia enorme de abrir os seus próprios espaços, no entanto, é preciso experiência e muita paciência. Para além disso, um espaço próprio requer outras capacidades de gestão que nem sempre estão desenvolvidas.

 

Diz em suma:

“Penso que o gosto pela área e pela profissão deve falar mais alto e com paciência e muita dedicação, tudo é possível.”